19 de setembro de 2011

2 de setembro de 2011

Cadê meu jatinho nessas horas?

Até uns anos atrás, antes de me adentrar no fantástico mundo de Bobby da moda, tinha a Bélgica apenas como o país dos chocolates mais comentados do mundo. Entretanto, assim como a Austrália, descobri no país sede da União Européia coisas tão interessantes quanto o doce de cacau, e Walter Van Beirendonck é uma delas.

O designer foi parte dos 'Antwerp six' que tombaram muitos preceitos da moda no final da década de 80, quando terminaram a graduação na Royal Academy e foram para Londres expor seus trabalhos.Dentre estes, Beinrendonck é o que até hoje possui um apelo mais pop em sua criação. 

Marina Yee, Dries Van Noten, Ann Demeulemeester, Beirendonck, Dirk Bikkembergs e Dirk Van Saene: mais do que só carão
Porém, no caso de Beinrendonck o 'pop' de seu trabalho é mais um viés pelo qual ele trabalha seus temas, que vão de política a relações interpessoais e de gênero. Afinal 'Welcome little stranger' é bem mais do que uma representação vestimentária(e literal) devotada á cultura UFO. O 'stranger'  pode ser não só o alien, mas o vizinho, a família, ou quem sabe nós mesmos.
Welcome Litte Stranger, coleção Spring/Summer de 97
E recentemente foi anunciado que o designer terá uma exposição-retrospectiva do seu trabalho. Tendo lugar no MoMu(o museu de moda da Bélgica) a partir do dia 14 desse mês. A exposição além de mostrar as peças funcionará também como um vislumbre do 'universo Beirendonck' e de tudo aquilo que de que ele se inspira/faz referencia nas suas criações.



PS.: O catálogo desta exposição é meu santo graal pessoal a partir de hoje.

Fotos [via: BleuissanteMoMu Walter Van Beirendonck]

17 de agosto de 2011

Para sempre amor de golfinho


"quanto mais reinventas as sombras
da língua, as fugas,
mais outro será o sol
do desafio
quanto mais perto do absurdo
mais real:
vestígios da lama no teu
rosto. Mãos de Irreal."
trecho do poema antropofagia delirante de virgílio de lemos

Assim, por meios não mais importantes que o fim, caí de alguma maneira nesse confuso balaio expressionista-antropofágico que é Connan Mockasin


A banda neozelandeza que existe desde 2004 tem como vocalista Connan Hosford, cuja voz lembra muito a do Billy Corgan do Smashing Pumpkins. Outras referências perceptíves na banda são a psicodelia musical tanto de Pink Floyd quanto do Animal Collective.


E quando digo ser expressionista muitas das imagens da banda, a comparação não é em vão . Tudo é muito carregado, muito forte e muito evidente. A maquiagem, roupas, efeitos sonoros e edições toscas assumem e evidenciam suas existências como complementos para a criação na banda. Porém agora o complemento parece ameaçar o protagonismo daquilo que deveria ser complementado.
O visual artesanal-kitsch dos videoclipes, e a mistura de referências estranhas em contextos ainda menos usuais é como um eco óptico e amalucado de uma sonoridade que aproveita-se dos mais diversos movimentos, influências e instrumentos da história da música.


A construção imagética lembra muito a de bandas como Fever Ray ou a Iamamiwhoami onde uma estética do poorly-made e do visceral sequestram nossos olhares da avalanche digitally-enhanced, que com 0s e 1s afina qualquer voz, emagreçe qualquer corpo e aperfeiçoa qualquer rosto. De encontro com a maior parte da produção atual, quando distanciam-se de uma perfeição de acabamento e unidade de sentido, tais bandas parecem atestar a plena ruína destes pilares há muito consagrados.
É como se, de alguma maneira, sugerissem que nem tudo precisa ser compreensível  e que nem toda falha precisa ser consertada.


"oh when I retire I hope the snat suit fits me well,
 I want to be a hybrid with lovely memories"
Please Turn Me In To A Snat - Connan Mockasin

PS.: snake +  rat = snat