5 de outubro de 2012

Coisas avulsas e interessantes desta temporada de moda que não tenho a mínima paciência para comentar mas que postarei aqui de qualquer maneira, mesmo porque o blog é meu :)

Hana Cha
Alexander Wang
Ashish

Chalayan

Chanel

Comme des Garçons

Ann Demeulemeester
Gente Legal na Front Row da Rodarte

Gente Legal na Front Row da Rodarte 2 :D

Ryan Lo no Fashion East

Gianfranco Ferrè

Giulietta

Giulietta

Givenchy

James Long

Jeremy Scott

Alexander Mcqueen

Galliano Meadham Kirchoff

Issei Miyake

Olympia Le Tan

Peter Jensen

Yohji Yamamoto

Luis Vitão e a melhor cenografia de todas 


E por último, mas não menos importante, finalmente um layout decente pra ver essas imagens de desfile. Um bj pra vcs webdesigners da vogue inglesa :*
Fotos [ via Vogue UK]

31 de maio de 2012

Sobre o tempo das coisas

Lembro que quando criança, ainda nos primórdios dessa maravilha relacional-tecnológica que é a internet, numa época em que dia de computador era apenas finais de semana ou após a meia noite, ficava horas e horas esperando downloads de músicas. Filmes então, só depois de um mês se estivesse com sorte.

Eis que recentemente aumentei a velocidade de internet e entrei para a média nacional de 2Mbps. Há algumas semanas atrás, enquanto baixava alguma coisa, sempre dava tempo de um café, ler algum recado de sms e rabiscar alguma coisa, mas desde que aumentei minha conexão as coisas têm sido diferentes.
Numa manhã qualquer destas, ao começar um download percebi que o tempo estimado seria de DEZ minutos. Meio que num desespero para acomodar meu desempenho ao desempenho de minha nova internet, tentei diminuir ao máximo o tempo que eu dedicava a cada uma dessas atividades de alguns dias atrás. Nem consegui tomar o café.

 Resultado desta desventura matinal ou não, tenho passado um (considerável) tempo longe daqui. A rapidez com que as coisas vêm acontecendo têm me causando cada dia mais tédio frente a elas. Tédio pela quantidade  que me impede de digeri-las . Tenho me sentido um ganso de foie-gras da era da informação e acho que não sou o único.

Preciso de espaço. Preciso de tempo, e de um hamburguer

9 de março de 2012

Pensando Rodarte numa varanda de vó

Esse review é um dos meus muitos devaneios tidos ao ver a coleção mais recente da Rodarte. Devo avisar que um pouco da linearidade foi deixada no caminho, assim sem compromisso nenhum, nem motivo aparente. Deixo pra quem lê a tarefa de preencher lacunas.


Lembro-me de minha vó uma vez dizer algo assim quando perguntei qual era o motivo da sua grande quantidade de  grampos no guarda-roupa:

 O grampo prende o cabelo indisciplinado, não é como se ele fosse um vilão nem o mocinho: até cabelos, vez ou outra, precisam de disciplina. Vez ou outra.

A frase__ livremente modificada para seu maior deleite poético (rs)__ pode não ter saído exatamente assim quando dita por minha vó, mas foi dessa maneira que a entendi__ o que, sejamos sinceros, é o que mais importa.






Quanto à coleção mais recente das irmãs Mulleavy, mais do que manter um possível "DNA Rodarte", elas conseguiram imergir suas criações num contexto mais sisudo e formal, conseguindo uma coleção de apelo comercial sem perder a força que lhes deu legitimidade há 4 anos atrás quando foram vencedoras do CFDA.Pouco tempo para uma evolução tão significativa? Talvez, mas o tempo não é o mesmo para todos.









Tanto que a coleção não se mostra facilmente, como algo cheio de pompa e ostentação. O mérito residiu nos detalhes engenhosamente pensados na maioria das peças, sejam as golas removíveis, camadas intercaladas quase imperceptivelmente, "jóias" aplicadas sem uma organização muito específica, o cabelo levemente desajeitado, os broches. Mesmo o espectro de 'vó' erradamente associado a algumas criações já feitas parece ir por água abaixo quando, num vestido de couro, a cintura marcada divide lugar com estampas que poderiam ter saído do meu antigo Atari
Contudo, se o cenário não foi trabalhado(como por exemplo em 2009) foi justamente porque, a essa altura do campeonato, não se fazia mais tão necessário. Seria pleonasmo imagético(um beijo para quem inventa neologismos mil), e mesmo desperdício, martelar na cabeça do espectador um conceito que conseguiu chegar e cativar de maneira tão sutil, quase que sem perceber. Méritos também à setlist com The Chills, Suicide e Ramones que pode ser baixada aqui

Se a coleção é um cristal ou jóia legítima, de nobre extração e habilidoso refinamento não é esta a questão. O cristal pode não ser legítimo nem raro, e talvez, nem cristal. Talvez seja uma imitação em acrílico, que nada de refinado tem e que, por isso mesmo, convida para uma intervenção, para um pensamento que vai além do que nos é apresentado.

Mais do que fortaleza da solidão,  a coleção é uma nostalgia convidativa, que pulsa mesmo em quem não reconhece o motivo da mesma. Um passado que não prende nem oprime mas que no aconchego permite embalos e viagens à bel-prazer para fabularmos nossas construções próprias.


E a força está aí, na construção não terminada. Na presilha que prende sem prender, que acomoda mas não limita.

Fotos [via Vogue UK & Scott Decker ]

3 de março de 2012

made in japan

Lembro que há um tempo atrás, num desses blocos de anime perdidos na loucura que é a TV aberta conheci Ranma 1/2. Anime adaptado de um manga da autora Rumiko Takahashi onde o jovem Ranma Saotome é vitima de uma maldição onde toda vez que é molhado com água fria se torna uma menina. Condição que é revertida apenas quando ele é novamente molhado, mas dessa vez com água quente.


A situação, por mais cômica que fosse, serviu de ponto de partida para várias discussões de gênero que me rodeavam na época: "Qual seria o resultado social de uma repentina transformação biológica que pudesse trocar uma pessoa de sexo?"
E se a bíblia disse uma vez que homem "do pó vieste e ao pó retornarás", o meu questionamento do Japão veio e ao Japão retornou:






Sputniko!(com exclamação mesmo) é o alter-ego artístico de Hiromi Ozaki, uma artista nipo-britânica formada na Royal College of Arts e que se foca no trabalho com próteses corporais. Contudo o que procura discutir com elas vai além do mero aperfeiçoamento corporal e do feminismo barato no momento em que especula até que ponto tais próteses modificariam as relações que a pessoa trava com outras e com ela mesma. Sua 'Menstruation Machine' é como a água quente de  Ranma Saotome. 
A própria artista afirma esta postura em sua outra obra 'Penis Cybérntique' onde criando uma prótese peniana removível ela experimentava situações muito comuns ao sexo oposto:

"Irá essa nova parte do corpo me fazer agir de maneira diferente? Terei um 'fantasma' de um penis quando não mais usa-lo?"
E assim ambas as obras circundam uma mesma área quase que deslocando vivências de gêneros. Contudo, mesmo seu trabalho sendo de tal qualidade, o que mais me chamou atenção quanto à sputniko! foi a maneira com a qual ela trata suas obras: Presentes também em exposições de museus, contudo, o maior foco da artista é proporcionar acesso à obra através de seus vídeos publicados no youtube. Videos nos quais ela é responsável por bem mais que apenas a obra,  pois ela canta, edita e cria os conceitos de cada um.


Além disso, a capa 'pop' que indiscutivelmente reveste muitos de seus trabalhos remove um pouco do peso e da seriedade de trabalhos como o de Stelarc e por vezes os de Eduardo Kac, mesmo tendo com eles alguns  pontos tangentes.
E é justamente por esse aproximamento obra-espectador que o trabalho de Hiromi Ozaki funciona, não tanto afastando pela estranheza da situação mas convidando qualquer um a pensar como seria, e que resultados provocaria esta situação tão peculiar.


Hiromi Ozaki, ou sputniko!: acabando com o trabalho de arco-íris mágicos 

Fotos [via  AdvertisingAge & Sputniko!]

PS.: O mangá Ranma 1/2  foi publicado em 87(e adaptado para a TV no ano seguinte) no Japão quando já perpassava livremente(e de maneira muito divertida) por relações de gêneros que hoje no Brasil querem tratar como doença. O que diria a bancada evangélica quanto a uma produção dessas?

1 de março de 2012

first things first

Panetone, firework, paetê e confeti de lado, retirei forças de uma garrafa de café extra-forte e de meia semana até o começo das aulas para retomar isso aqui.
Publicar algo nas férias foi mais desleixo do que drama. estive seriamente ocupado tendo 12 anos de idade mental e salvando nova iorque de zumbis e um exército corrupto.
Mas pretendo negligenciar minha negligência quanto à este querido amontoado de pixels e ideias que é o blog, levá-lo um pouco mais a sério(não muito, na medida) e colocar ordem na bagunça. 
E se começar coisas pode ser incrivelmente chato ou piegas(dependendo da sua experiência com livros de auto-ajuda) um pouco de música melhora a situação:




4 de dezembro de 2011

Este não é um blog de música




Post e mixtape patrocinados por minha (atrasada) paixão incondicional à Lana Del Rey, que incondicional como qualquer amor,  nem liga se ela é fabricada por sua gravadora ou não.

Bocão de Donatella, Voz de (Nancy) Sinatra <3



Foto [via YourMusicToday]

15 de novembro de 2011

31 de outubro de 2011

You're gonna lose your soul tonight



"My suitcase is packed with all your heartbeats
so i walk to their sound and head towards the sun
So my shadow will cover the tears on the ground
I'm moving away form the place where you took your last breath
to find you my love in the magic of life after death"
Intro - Dead Man's Bones

18 de outubro de 2011

"You put high heels on and you change"

Lista de feeds é uma coisa muito ingrata! Me dei conta dessa infelicidade informática quando num vórtice de cafeína quis atualizar todas minhas leituras atrasadas de meses que, mesmo gastando horas e horas não consegui ficar em dia.
Mas, felizmente, dentre do apocalipse de 'tendencias do dia'/'shape da estação'/'must-have' encontrei um post no fim do túnel. (Mas que fique claro que estou desconsiderando a minha relação de amor e ódio internética: RookieMag)

Talento: invejo e morro de raiva mas reconheço

Matéria bem recente do NYT, a escritora Tricia Romano fala sobre um recente "tendência"(se pudesse colocava mil aspas) que ela tem percebido na noite novaiorquina: homens usando sapatos de salto-alto.

Não é novidade pra ninguém que este fato não é inédito. Até o século XV, usar salto-alto não configurava-se como uma escolha baseada em gênero, mas sim em nobreza e prestigio, já que somente as nobres utilizavam o sapato.




O que achei mais animador, porém é como tal atitude frente ao vestir possibilita maquinar milhares de outros jeitos de pensar a vida. Uma simples apropriação de um item do guarda-roupa do sexo oposto que permite pensar questões não tao simples assim.

É impossível que, vendo tais imagens, não pensemos sobre a rígida divisão sexual que se impõe nas sociedades de boa parte do mundo. Não somente esta como também a irritante 'cartesianidade' lógica que tudo deve seguir. 

“As far as we’re concerned, this is just bringing a look to a club — which is what you are supposed to do.”-Mr. Wagner

O interessante dessas 'manifestações indumentárias' é que ninguém, em nenhum momento afirma um desejo de se tornar o outro sexo. Na maioria dos casos, esse jeito de se vestir é movido apenas pelo desejo de escapar um pouco do âmbito (muitas vezes) repetitivo de 90% da moda masculina, império da sobriedade e da inteireza.

E o que me faz ter um certo desânimo da moda masculina é justamtente isto, esta integridade que sempre deve estar presente. Longe de mim querer revolucionar a moda e acabar com o íntegro, mas transformar isso num quase-dogma não rola. É limitador, sem fututo e, claro, entediante. 

Mas não temas leitor(a) meu, solução existe!  Tudo bem que a maioria seja em filmes, editoriais, campanhas ou passarelas... mas só por enquanto :)
Karl meets Gareth VMAN Fall '08
Rick Owens
Jamie do http://jamiesblog.nl 





PS.: O título do post é uma citação do Manolo Blahnik
PS.2: A Tricia Romano tem um portifólio jornalístico incrível no site oficial dela, além de ter um radar muito bom para discutir questões super pertinentes de comportamento+internet, tipo esse post sobre haul videos no YouTube
Fotos [via: Adriana AllenAndrés Velencoso SeguraFashion&Style(NYT), Fashion Indie, ModCloth,  OiModaUnitedBlogs Of Benetton]

19 de setembro de 2011